Lá está ela, magra, seus seios caídos, fácidos, mas parecem dois sacos com líquido pela metade. Aboliu o soutien, de nada adianta. O descuido com o proprio corpo revela-se nas axilas não depiladas, e no topo de sua esquálida cabeça seus cabelos escorridos mau cortados com pontas bem aparentes, numa total falta de simetria. O rosto esquelético hostenta uma maquiagem feitas as pressas... só um rouge, que ressaltam mais ainda as pontudas maças. Lábios murchos, nem o batom consegue ajudar.
É magra, descarnada, braços finos, o cotovelo é uma ponta, dedos compridos,juntas grossas e unhas ainda pintadas com esmalte de segunda, descamando as bordas. As costelas aparentes, cobertas por uma camada de sua pela pálida, donde vemos as pequenas veias azuladas, dão um tom de horror... cadavérica figura.
Os joelhos trazem feridas aberdas, sujas de sangue enegrecido e terra, a mistura escorre pelas suas finas canelas. Feridas feitas pelas vezes que foi posta de joelhos de maneira repentina.
Na nuca traz um corte aberto pela ultima porrada que levou, que sangra, tingindo o cabelo ralo que não consegue disfarçar o ferimento. O couro rasgado e pendente revelando o branco embaçado do que parece já ser o cranio.
Tem as palmas das mãos queimadas, em carne viva. A pele foi arrancada. Cada vez que foi ao chão, apoiando as mãos não conseguia nem limpa-las direito, por isso salpicados grãos de areia estão por toda extenção de suas palmas, extendidas para frente. Uma fraca defesa para oque vier e frente. a única e inutil defesa.
Os pulsos trazem marcas distindas. Primeiro dos grilhões dos quais foi recém liberta, arroxeados, circulando toda base do punho, as outras marcas, mais sinistras, mostram o peso do sofrimento. Cicatrizadas, na falha tentativa de trazer até si o doce afago da morte, que até hoje se contenta em olha-la de longe.
Nas costas arqueadas, com se não aguentasse nem o proprio peso, marcas das chibatadas, chagas abertas, outras já cicatrizadas, revelando cruelmente que já faz tem que sofre.
Já não cuida de si, já não se penteia, já abandonou a vaidade, antes mesmo dos flagelos.
Seu efeites, colares, brincos e pulseiras, já foram saqueados, por aqueles que já amou. Já não se importa com a dor.

Seus olhos claros, Ainda exergam o horizonte e guardam a força para continuar de pé, na esperança de quem não foi vencida
(Foto de Andrzej Dragan)
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