domingo, junho 18, 2006

Eu fui a um terreiro de umbanda... deixe-me contar como foi.
O ritual chamado Festa de Exú aconteceu a partir das 23:00 com uma senhora vestida demaneira muito alegre, um pano caqui, com estampas de cores escuras, lenço na cabeça. O Terreiro era um lugar muito simples. Um altar onde se destacava um imagem pequena de Jesus Cristo, em pé de braços abertos rodeado de várias outra imagens, velas e flores. No Centro do Terreiro havia uma coluna coberta de papel laminado prata a coluna ia do chão a té o teto, porém em seu topo havia um prato de barro, perfeitamente visível oque me dava a entender que a coluna não estava alí para sustentar teto, mas fazia parte dos instrumentos usados nos rituais. No pé da coluna na face que dava para porta tinha um vaso com flores, palmas brancas brancas para ser mais exato. Do outro, o lado do altar, não sei , pois eu não via de onde eu estava.
Canticos, e mais canticos, os rituais são baseados em cantos, os pontos, cada momento se canta uma musica ritmada pelo toque dos atabaques, enquanto os participantes dançam em volta desta coluna.
A Mãe de Santo do terreiro, estava sentada numa cadeira grande que fica do lado do altar, de onde observava tudo com seriedade.
Primeiro se cantou para os orixás. Foi um ritual tranquilo, de certa forma...branco. Uma das participantes incorporou um Santo, Inhansã... tirou o lenço e dançou com mais energia que os outros participantes. E tempo em tempo, parava e gritava ieêeeeeeeee em quanto se dobrava como um tipo de dança. Era como se aquilo fosse uma marca, uma identidade, algo em que se pudesse reconhecer que santo era aquele ali incorporado.
Ela foi levada para de trás do altar. Tive a impressão que não era para acontecer aquela incorporação. Mas tudo era levado de maneira muito natural.
No pé na coluna nesta primeira parte, estavam um prato de barro com farofa e um outro vaso com algum líquido, água acredito eu. Tudo acontecia muito rapido, reverências, beijos nas mãos, e abraços. Não fazia muito sentido para mim , ordem com que as coisas aconteciam. Sei que um dado momento o prato de farofa e do vasinho com líquido foram levado lá para fora.
Um dos participantes usou um dos galhos das palmas brancas e como um padre que joga agua benta , ela foi benzendo todo o lugar.
Ouve um longo intervalo, enquanto isso os participantes foram mudar de para segunda parte. Cantar para Exú.

Festa para Exú
O ritual começou da mesma maneira, só que desta vez os participantes estavam vestidos com roupas diferentes, com tons avermelhados, quando não eram roupas vermelhas por completo.
A intenção era invocar os exús... faze-los incorporar.
Um orixá não fala, mas um exú fala, dá conselho. Cada espírita (este é o termo que devo usar para me referir aos participantes) tem o seu. Se a pessoa é médium, em outras palavras, incorpora, então ela tem um Exú que "vira" nela.
Os canticos começaram, como eu havia dito, da mesma maneira, cada vez um canção diferente, um toque difrente. Mas não demorou muito para que o primeiro incorporasse. Um homem faz um som alto e estranho como uma tosse, adiantou-se para o meio do terreiro, e como se sua camisa estivese pegando fogo, livrou-se dela contorcendo o corpo, com uma velocidade, logo se pos de pé perto da porta, apenas com sua calça, mãos para trás. colocaram-lhe uma capa preta de cetim, com fios de paetês bordados atrás formando desenhos que lembravam tridentes dispostos em circulos. Era Tranca Rua das Almas... logo depois a mesma mulher que havia incorporado Inhansã, incorporou desta vez, uma Pomba Gira menina, e ela cantou e reverenciou muitas vezes durante todo o culto. Assim um após outro foram imcorporando cada qual o seu exú, Ciganinha, Preto Velho, Tranca Rua de Embaré, este em especial, tinha uma capa e uma cartola vermelha, soltava uma risada alta e sonora, mas não era como as risadas sinistras dos filmes, era diferente, não sei explicar, era quase falado. Até mesmo alguns que estavam alí somente vendo , incorporaram, e logo eram amparados por outros que não incorporavam, que com chocalhos pareciam abanar quem "virava no santo".
Todos as entidades eram recebidas com atenção e alegria, assim que incorporavam eram amparados, tinham os pés descalçados e as barras das calças erguidas, para alguns eram dados adereços, todos fumavam e bebiam.
Logo o terreiro estava cheio de pessoas incorporadas, entidades, personagens, a impressão que se tinha era de uma festa mesmo, como se fosse um encontro.
Por ultimo, a mãe de santo incorporou, foi retirada do terreiro para trocar de roupa. Pasou um tempo e durante esse tempo em que a mãe de santo se trocava, o canticos eram conduzidos pela Pomba Gira Menina.
A Mãe de Santo volto vestida com uma calça branca, um paletó branco, camisa vermelha e chapéu branco. Amparada por outros, era Zé Pilintra, ou Pelintra. Os canticos foram direcionados para esta entidade que sentou-se, então as pessoas foram conversar com os Exús, conversavam ao pé do ouvido, enquanto os atabaques rufavam, em cantos e mais cantos.
Toda religião tem seus prós e seu contras, suas permissões e suas restrições. Não é diferente com a Umbanda.
Umbanda é uma religião que pode fascinar pelo aspecto de passear livremente tanto pelo lado iluminado quanto pelo lado escuro da espiritualidade humana, mantendo a mesma naturalidade para um lado quanto para o outro. Enquanto outras religiões se concentram radicalmente em um só lado, ou é branco ou é preto, na Umbanda é como se um dependesse do outro e cada um com a sua parte e função.