terça-feira, maio 22, 2007

Eu já passei por isso duas vezes.
Passei em segredo, só dentro de mim...

Como a vida se torna linda, divertida, fica bom viver e passar os dias quando se encontra alguém com quem compartilhar os dias. Como é legal poder de repente comprar algo para aquele alguém, fazer algo que aquele alguém que se gosta. Era assim... uma comida, uma revista, alugar um filme, para estar junto, ficar junto, fazer coisas junto de alguém com quem você tem o prazer inexplicavel de estar.
O sentar e conversar, dormir abraçado.
Quando tudo se acabou, quando tudo se foi, como a água da chuva, lavando os desenhos que fizemos na calçada, é dificil dizer, mas tudo perdeu um pouco da cor, tudo ficou mais cinza.
Já não vou ao supermercado fazer compras enormes. Confesso, sinto falta disso, mas não faz mais sentido, a comida apodreceria na geladeira. Já nem faço comida em casa. Não tem muito sentido também. Acho que a palavra certa é motivo.
Sabe quando você para e vê que não tem sentido mais certas coisas, embora eu sinta falta.
As vezes dá vontade de chorar, as vezes só sinto que a vida é assim mesmo. E vai se vivendo.
Perdi a vontade de me aventurar, e tenho medo de me jogar das nuvens de novo. É tolice minha ficar penssando assim, porque se eu por na balança, usar a logica fria, sem nenhum sentimento, só ganhei, não perdi nada, mas o alto do pódium é um lugar muito solitário.
Assim dessa forma parece um arrependimento, mas eu só estou desabafando... porque no fim de tudo, lá no fundo eu sei que foi como aquele alpinista que ficou com o braço preso na pedra e não conseguia se livrar. Ele cortou fora o proprio braço, para continuar vivo. O que é um braço diante de uma vida inteira pela frente?

Eu já passei por isso duas vezes.
Passei em segredo, só dentro de mim...

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