quinta-feira, setembro 30, 2010

"Nóis" na FITA

Conheço Fabrício... e quem não conhece o Fabrício ?
Além de ser incrível amigo (amigo mesmo, até para horas mais inoportunas, tipo 3:00 da manhã), ele me proporciona muitas oportunidades diferentes para coisas diferentes. Sempre em mix... lugares interessantes com pessoas interessantes em eventos interessantes.
A FITA (Festa Internacional de Teatro de Angra) é um deste
eventos legais que posso ir com Fabrício , e princip
almente por causa dele. Ele me chama, me convida, me anima. E eu vou.

Assisti a peça que ele mesmo participa, Conto de Phadas onde ele além de muitos outros personagens, faz a Phada (Fada). Contos é um besteirol rasgado e ous
ado que passa pelos contos de fadas mais classicos fazendo chacota de todos eles. Misturam-sem para formar uma história só. Uma Branca de Neve evangélica, alías, uma Tranca de Leve que é chamada de Borralheira, que conhece os três anões, por contenção de despesas no elenco só são três mesmo, no lugar de sete, um espelho com desejos sexuais, e Rainha Madrasta com jeitão de criola do Morro, um príncipe que não pode falar mentiras, mas no lugar
do nariz crescer
é outra parte do corpo que cresce, num estranho feitiche, vovozinha, lobo mal, bananas envenenadas, enfim... tudo muito regado de humor.


Ontem fui assistir dois espetáculos. As Pontes de Madison... lindo comovente, tal qual o filme, diziam, pois eu não vi o filme, mas a peça realmente é.
Embora As Pontes fosse o espetáculo principal, uma outra peça me chamou mais a atenção. Com uma produção muito mais barata, Açaí e Dedos é um espetáculo de texto...

"...narra a história do sumiço de Laura (Thaís Garayp), uma sexagenária, mãe de três filhos e moradora de Copacabana, que desaparece quando vai ao mercado e não volta mais para casa. A ação começa uma semana após o sumiço de Laura e a chegada da filha Alice (Sheron Menezes),
que há quatro anos vivia na Europa. A típica família de classe média brasileira se reencontra para, junta, enfrentar a crise e tentar responder as perguntas que ecoam e angustiam a todos. O que terá acontecido? Acidente, assalto, sequestro, um ataque fulminante? Ao tentar responder estas questões, eles são obrigados a investigar não apenas quem é Laura, mas quem são eles mesmos."


Fui sendo envolvido por aquele turbilhão de reflexões e eu, que nunca pensei que seria levado as lágrimas novamente em uma peça de teatro (a prime
ira vez foi assitindo Parem de Falar Mal da Rotina com Elisa Lucinda) fui tocado profundamente. Vi minha família ali no palco em alguns aspectos. Vi minha mãe, que diferente do personagem Laura, não foi embora, mas o quanto se modificou para ser o que é hoje, para nos dar o equilíbrio ? O quanto teve de se podar ? De abandonar ? Quais dos seu sonhos ficaram para traz para que nós pudéssemos também sonhar ? E quão invisível ela passa dentro daquela casa, por causa do dia a dia, da rotina...?




Outras reflexões como "será que eu sou aquilo que eu gostaria de ser ?", "e se eu me encontrar na rua, eu me reconheceria ?"
A algum tempo atrás as respostas seriam não...

Hoje... elas são sim.