Não passei o natal nem o ano novo na costa verde. Voltei dia 2 de janeiro para cá. Pelas notícias que via nos telejornais, achei que iria encontrar um caos nas estradas. Que nada tudo estava tranquilo a não ser pelo engarrafamento no sentindo contrário (Angra - Rio). A medida que nos aproximavamos da região de Angra o tempo ia mudando do céu azul que deixei no Rio de Janeiro para um cinza chumbo, que já incorporei a paisagem local. Porém mais do que isso comecei a notar os pequenos deslizamentos ao longo da estrada que deixaram algumas moradias ao ponto de cair. A medida que seguiamos viagem os sinais da forte chuva de dois dias atrás foram ficando mais evidentes. Longas fendas abertas nas encostas foram surgindo com mais frenquência até que o onibus encontrou a primeira e unica retenção do percurso. A mais ou menos 7 km da Rodoviária de Angra dos Reis a estrada estava desabando, antes poré, já havia avistado uma grande falha na vegetação da Ilha Grande, onde houve a tragédia. Impressionante era a unica palavra para descrever o acontecido. Na tv ainda não tinha sentido a verdadeira dimensão do desastre, mas agora vendo ao vivo era algo assustador.
O motorista do onibus nos disse que daquele ponto em diante só estavam passando a pé. Peguei minha mochila e tres bolsas e continuei na esperança de encontrar algum onibus indo para angra depois do deslizamento. A medida que andava a estrada se tornava suja com uma lama avermelhada. A agua ainda corria pelo asfalto embora não estivesse chovendo.
Alcancei uma parte onde o morro deslizou, uma grande falha subia o morro e um riacho corria abaixo formando uma pequena cachoeira. Era uma grande e profunda erosão. A vegetação se fora, as mata que restou em volta formava uma especie de tunel. Dava medo de ver. A impressão era algo iria rolar de de cima de repente.
continuei seguindo até achar o exato ponto onde o asfato foi abocanhado. Pouco menos que metade da pista se foi, porém o maior problema era que do alto do morro ouviram estalados de madeira se quebrando, oque poderia indicar uma movimentação de terra, a policia já havia isolado a estrada, continuei seguindo quando um bombeiro me pediu pra seguir pelo outro lado da pista. Oque vi em seguida foi um cenario de caotico de pessoas com a expressão desacreditada, e uma fila de carros parados. era como a cena de um desses filmes catástrofe onde a opulaçào foge em massa de um lugar condenado, tudo isso ao som de sirenes, ora aqui, ora mais adiante. Pessoas sentadas a beira da estrada algumas andando como se fosse a esmo. Em todas o mesmo olhar perdido, nas autoridades, o de preocupação, em comum, apenas a espera pelo pior.
Continuei andando, mesmo muito cansado sob o peso da minha bagagem, 7 km depois estava sentado narranado os fatos para um amigo na rodoviária de Angra.
Para todos que encontrei que passaram o fim de ano aqui a mesma narrativa, muita chuva, falta de energia elétrica, enchente, horas de espera e depois tristeza de quem perdeu pertences, casa, e amigos.
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