sexta-feira, dezembro 01, 2006

Foi com uma certa curiosidade que fui até a Sipat da empresa, mesmo sem tempo, pois havia muita coisa pendente que eu tinha deixado para fazer depois, para assitir uma peça de teatro encenada por pessoas com "lesão medular".
Para quem não sabe, a vitima de lesão medular fatalmente perde os movimentos da cintura para baixo ou, em casos mais graves, perde os movimentos do pescoço para baixo.
A peça encenada, não era nada mirabolante, este era o grande trunfo do negócio. Aos olhos de um leigo, a produção simples, feita com o esforço e amor, poderia parecer até algo sem muitos atrativos. A História de Stephany (me corrija se eu escrevi errado) e seu mundo particular que compartilha com seu pai e vice-versa.
A peça tem seis personagens, três em cadeiras de rodas, incluído a Stephany e tres andantes, o pai de Stephany, um boneco que toca vilão e uma das bonecas do seu quarto / mundo.
quando somos levados por um beijo para o mundo de Stephany, a boneca canta com uma voz doce, e incisiva, como um pontinho de luz que tendo permissão, vai até a alma, e de lá me trouxe as lágrimas, que tentava em vão deter.
Da cadeira de rodas não emerge um milagre hollywodiano desses que sempre vemos nos filmes onde atores-que-andam fingem que não andam para depois fingir foram curados. Um dos bonecos representado pelo ator em sua cadeira de rodas, toca gaita... toca bem, acompanhando a boneca cantora.
Não dá... as lágrimas vem, eu me rendo e as deixo vir. Talvez por eu andar, correr e ter sempre pressa de chegar, nunca parei para tocar nenhum instrumento, nunca deixei que nenhum instrumento me tocasse.
Diante de mim, numa prova de que o limite do ser humano está em sua cabeça, tinha uma homem que sem todos os movimentos, tocava gaita, representava, estava encima de um palco diante de uma platéia, e enfim, superava os limites de muitos de nós, andantes.
Uma menina em sua cadeira dançava, e tinha até um sorriso tímido, mas a cada segundo daquela curta encenação, superava a si mesmo.
Admiti, eu não estava diante de uma peça de teatro. Talvez nem houvessem atores profissionais ali, talvez tudo fora feito com instinto e amor, somente, nada de efeitos especiais e histórias de enredo enrrolado.
Não era uma peça, era uma prova do poder do sonho da alma humana, era uma prova de podem lhe roubar até mesmo seus movimentos, mas ninguém tira sua capacidade de ir além de si mesmo. De superar seu mais altos obstaculos.
Não estou falando de gente comum, destas que passa por você pela rua todos os dias, andando para lá e para cá, estou falando de pessoas que não andam, que encontraram na mais cruel adversidade, forças para mostrar que o limite para aquilo que você quer fazer, não está no seu corpo, está na sua capacidade de sonhar.
Eu deveria ter me levantado e aplaudido de pé.
Não era a peça, nem a história, nem o figurino, nem nada que se pode ver com os olhos.
O Aplauso era para aquilo que meu coração estava vendo.
E ele via superação.

Parabéns ao grupo Novo Ser que faz este trabalho de sociabilização daqueles que sofreram lesão medular por (me) mostrar que para sonhar basta estar vivo.
Como diria uma amiga minha "não jogamos a toalha ainda"

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